I
Escondido
Num mundo
Do lodo
Desconhecido,
O sr. Ndo
Trava uma batalha
Bastante dura,
O que lhe tritura
A malha.
II
O Mundo
Que conhecia,
Afastaram-no da sua convivência;
Ignoraram a sua existência,
A sua importância,
Pondo-
-o de lado.
III
Até os próprios familiares,
Afastaram-no dos seus lares,
E assim, perdeu todos os pares,
Porque não tem mais bons ares
Em todos os lugares.
IV
Dias e noites
Tão tristes,
Caminha em partes
Onde é ignorado
Pelos seus semelhantes,
Sobretudo
Pelos seus próprios parentes
Que, no fundo
Do seu coração,
Com chama
Amava e ainda ama.
V
Amava e ama,
Teima
No mesmo amor
E afasta todo o sentimento
De aversão e ódio,
Porque desde o seu nascimento
Foi sempre ensinado a amar,
A não subestimar
Seja quem
For,
Seja mulher, homem,
Ou criança
Na sua morança,
Cada qual a sua sentença.
VI
Ao longo
da vida
Na minha caminhada,
Desde Quínara,
Empada,
Pelundo,
Canchungo,
Bissau,
Bolama,
Catió,
Dakar,
Lisboa,
Évora,
Montemor-O-Novo,
Prior Velho,
Mercês,
Em Sintra,
Alcácer do Sal,
Covilhã,
Aprendi a respeitar
Os sentimentos
De cada um,
A não ferir a susceptibilidade
De cada um
E sempre amar,
Chamar
sempre de perto
Para o meu peito,
Mesmo que o ódio
Seja o lema
De cada um
E suplantá-lo
Pelo carinho,
Afecto,
Substitui-lo
Pelo amor.
VII
É assim
Levo
A vida,
Mesmo sabendo que me odeiam,
Que me detestam,
Que me repugnam
Pelo que sou,
Pela minha humildade,
Pela minha solidariedade,
Pelo meu humanismo.
VIII
A minha sina,
Não sei se é humana
Ou divina
No que a vida me ensina.
No entanto, há sempre algo que emana
Da parte interna
Ou externa
Que diariamente me encarna.
IX
Aqui sentado
Na poltrona,
Vou escrevendo
Tudo
O que me vem à tona
E, duma forma tranquila e serena,
Vou destrinçando
A maldade
Da bondade
Deste mundo.
X
Sem família,
Sem filho,
Sem filha,
Sinto a folia
De continuar a trabalhar,
Seguir no trilho
Da verdade,
Da sinceridade,
Da honestidade,
Da Justiça,
Porque tenho
A esperança
E o sonho
De um mundo melhor,
Com a paz,
Amor
Naquilo que o homem faz.
PRIOR VELHO, 03 DE AGOSTO DE 2011
MATTOS( NDO )
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