segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O MEU GRANDE AMOR
I
As rugas
Antigas
Desaparecem com o amor,
Porque a dor
Atenuou
E o destino
Que um dia me fintou,
Veio em pleno.
II
Eu escrevo
Sobre as linhas
Tortas
Em todas as manhãs,
Sobre todas as pistas
E descrevo,
Minuciosamente,
A vida que levo
Diariamente.
III
Os assuntos
Amplamente
Abordados,
Têm sido frequentemente
Sobre o comportamento dos meus filhos,
Os conselhos
Que lhes dou,
Porque não sei quando vou
Para outros mundos.
IV
Estou ciente
Da minha fraqueza,
Da minha pobreza
Nesta parte
Do Globo
E não me gabo
Sobre a minha pessoa
Aqui em Lisboa,
Porque a vida tem sido
A madrasta
Ingrata
Para o menino
Africano
Que se chama
Simplesmente, "Ndo",
Filho de Bolama.
V
Pela luta
Constante
Que tenho travado
Ao longo dos anos,
Cheguei a conclusão,
Que nada
Tenho feito
De jeito,
Isto é, em condição
Que se adeque a meta
Pretendida,
Com vista
A que a minha gente
Se sentisse satisfeita
E orgulhosa do papá "Ndo",
Mas, no entanto,os seus actos,não foram levianos.
VI
Aos meus filhos,
Que nada deixo
Como herança,
Senão o lixo
De papeis em entulhos
Como pensamentos,
Senão a esperança
Na caminhada
De cada
Década
Percorrida
E também a esperança.
VII
Sentado,
Deitado,
O sr. "Ndo"
Vai reflectindo
Sobre o seu percurso
Neste mundo,
Neste espaço
Tão vasto,
Que eu sinto
Muito
Grato
Pelo tempo
Que a Providência
Me tem concedido
Como a vivência,
Como experiência
Da essência
Humana
Quotidiana.
VIII
Pé
Ante
Pé,
Peço aos meus filhos,
Que tenham a fé
Nos seus trilhos,
Na senda
Que cada
Um traçara como meta,
E que cada
Um se sinta
Confiante
E vá sempre em frente.
IX
Nada é dado,
Nada é adquirido
Sem o mínimo esforço,
Empenho
E abnegação,
Em cada missão,
Porque cada fardo,
Tem o seu preço.
X
Não se declinem,
Não abandonem
Os vossos sonhos,
Os vossos projectos,
Mesmo que sejam espinhos,
Lutem
Pelos vossos intentos.
PV CITY(2ª, 24 DE SETEMBRO DE 2012.
MATTOS (NDO)
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