LISBOA,
AGORA,
TERRA
SEM BROA
I
Um peão
Sem guião, um cego
Num jogo,
Desconhece o parceiro
Para o fim certeiro, num país
hospitaleiro
Que aceita até o caloteiro!
II
De perto,
Nos parece mais afastado,
Quando,
Em conjunto
Caminham lado
Lado
A lado.
III
Por
Amor,
Vive-se na dor,
Para não permitir o sofrimento
Em cada peito,
Não triturar o interior
De cada pecador,
Que, aparentemente, ama
Que exteriormente difama.
IV
Só sei
O fado que dentro levo,
Porque antecipadamente o pesei
Como bem o fazia o meu coevo.
V
Do Universo,
A um parco bolso,
Presentemente vive um ser
Prestes a perecer!
VI
Da minha terra,
Saída da guerra,
Não posso falar.
Limito-me a calar,
Para não descarrilar
Da minha vida particular
VII
Aconselhado a preocupar-me
Exclusivamente com os problemas
(da minha) de casa
Que está em penhora, esquecendo
os problemas da minha terra.
VIII
No fim,
Não terei o fim,
Porque ninguém me segurará,
Porque ninguém me olhará.
IX
Porque tudo que é fim
Ou está no fim,
Ou foi bom ou foi ruim!
Não mais haverá amo,
Mas sim, a grande dor!
Reinará a desgraça,
Que semeará a vingança!!!
X
E os meus filhos?!
Quem terá a compaixão de os
alimentar,
De os vestir,
De os educar,
Numa palavra,
Crescer e
E sobreviver?
XI
Meu Deus!
Não todos os males dos céus,
Tudo sobre e apenas em mim!!!
E se for
Apenas em mim e não nos meus
filhos!
XII
Ilumine os meus filhos!
Mostre-lhes o caminho da
verdade!
A razão da verdadeira existência
humana!!!
XIII
Aquele que parte
Para uma outra parte,
Mesmo para a própria morte,
Deve deixar a sorte,
Melhor dizendo, o seu dote!!!
XIV
Aos meus filhos!,
Aos meus irmãos!,
Aos meus amores!
… Rirão,
Quando não der certo!!!
…Rirão,
Quando formos abandonados!!!
XV
E dirão:
“ Ah! Agora é tarde!
Já a ninguém pede!
Agora, aguente-se,
Já que nunca tinha dado ouvidos ao
que alguém disse ou dizia…!!!
LISBOA(SEXTA-FEIRA, 14 DE MAIO
DE 1999
MATTOS (NDO)
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