sábado, 26 de julho de 2014

LISBOA /, AGORA /, TERRA/ SEM BROA/

LISBOA,
 AGORA,
TERRA
SEM BROA

I
Um peão
Sem guião, um cego
Num jogo,
Desconhece o parceiro
Para o fim certeiro, num país hospitaleiro
Que aceita até o caloteiro!

II

De perto,
Nos parece mais afastado,
Quando,
Em conjunto
Caminham lado
Lado
A lado.

III

Por
Amor,
Vive-se na dor,
Para não permitir o sofrimento
Em cada peito,
Não triturar o interior
De cada pecador,
Que, aparentemente, ama
Que exteriormente difama.

IV

Só sei
O fado que dentro levo,
Porque antecipadamente o pesei
Como bem o fazia o meu coevo.

V

Do Universo,
A um parco bolso,
Presentemente vive um ser
Prestes a perecer!


VI

Da minha terra,
Saída da guerra,
Não posso falar.
Limito-me a calar,
Para não descarrilar
Da minha vida particular

VII

Aconselhado a preocupar-me
Exclusivamente com os problemas (da minha) de casa
Que está em penhora, esquecendo os problemas da minha terra.

VIII

No fim,
Não terei o fim,
Porque ninguém me segurará,
Porque ninguém me olhará.

IX

Porque tudo que é fim
Ou está no fim,
Ou foi bom ou foi ruim!
Não mais haverá amo,
Mas sim, a grande dor!
Reinará a desgraça,
Que semeará a vingança!!!


X

E os meus filhos?!
Quem terá a compaixão de os alimentar,
De os vestir,
De os educar,
Numa palavra,
Crescer e
E sobreviver?

XI

Meu Deus!
Não todos os males dos céus,
Tudo sobre e apenas em mim!!!
E se for
Apenas em mim e não nos meus filhos!

XII

Ilumine os meus filhos!
Mostre-lhes o caminho da verdade!
A razão da verdadeira existência humana!!!

XIII

Aquele que parte
Para uma outra parte,
Mesmo para a própria morte,
Deve deixar a sorte,
Melhor dizendo, o seu dote!!!


XIV

Aos meus filhos!,
Aos meus irmãos!,
Aos meus amores!
… Rirão,
Quando não der certo!!!
…Rirão,
Quando formos abandonados!!!

XV


E dirão:
“ Ah! Agora é tarde!
Já a ninguém pede!
Agora, aguente-se,
Já que nunca tinha dado ouvidos ao que alguém disse ou dizia…!!!

LISBOA(SEXTA-FEIRA, 14 DE MAIO DE 1999

MATTOS (NDO)






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