sexta-feira, 23 de novembro de 2012
A ANSIEDADE /DE/ QUEM ESTÁ NA NULIDADE/
I
Viver
A vida
De uma forma parasita,
É ter
Uma senda
Torta
E nada
Em vista
Para viver
Com prazer.
II
É entregar-se
Aos outros
Em todos os aspectos;
É sentir-se
Aos desencontros
De assuntos
Vitais
Entre os animais
Racionais.
III
Levantar-se,
Todos os dias
E nada ter
Para fazer,
Para contribuir
Para o bem dos outros,
É tão doloroso
Como ter
Um único osso
Para roer
E nada para comer.
IV
Sinto-me
Tão pequenino
Como um menino
Acabado de nascer!
Um espécime
A viver
Sem nada valer,
Nem para ele mesmo,
Nem para o seu próximo.
V
A vida
Que estou caminhando
É um embuste
E tão triste
Na medida
Em que estou totalmente derrotado,
Apesar de não estar vencido.
VI
Não pude ajudar
Os meus filhos a crescer
Em termos financeiros
E cada qual se enveredou
Pelo seu caminho!
A mais velha está em Londres
A batalhar
E a trabalhar
Duramente,
A fim de se afirmar
Como pessoa humana;
O mais novo
Está aqui em Portugal,
Em Lisboa
Na vida boa,
A curtir com todas as moças,
A trocá-las como quem troca as camisas;
Nem quer saber da vida;
Apenas vai vivendo o dia-a-dia,
Sem se preocupar com o dia de amanhã!
Tem dinheiro para apanhar táxis para os sítios que vai com as damas.
Donde vem o dinheiro? Não sei? Da discoteca?!
VII
O DIA VINTE E TRÊS ,
Será
Como sempre o fora
Outrora?!
Será
O dia de salvação
Para este infeliz cidadão
Sem um único tostão?
Quando é que a Segurança Social
Se lembrará
De mim?
Estou arrasado,
Estou acabado
E sem dinheiro
Para as minhas filhas
E isso
Há quase quatro meses!
Desde Agosto
Que não pego no dinheiro
Vivo!
PV CITY(6ª FEIRA- 11H20), 23 DE NOVEMBRO DE 2012.
MATTOS(NDO)
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