quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O QUE ME RESTA/ DESTA/ TERRA/ MADRASTA/?

I As palavras para pronunciar, As situações para presenciar, A tudo, renuncio E abraço O sacrifício Com esforço, Porque nunca fui do ócio, Mesmo quando sinto um vazio No meu próprio Meio! II “Bantumbi”(1), Ainda não percebi As razões por que nunca mais subi!!! III Eu não me interrogo, Porque não sigo Normalmente como os outros. Será que só oiço Os vossos berros, E não oiço A vossa voz, Senão à sorte atroz Que me está condenando Diante de todo O mundo? !!! IV Diante dos meus subordinados, Estou a ser crucificado, Porque todos Estão informados Do meu atual estado: Um autêntico farrapo Neste real, concreto E exato Tempo. V Seguir-se-ão Os meus próprios filhos!!! Porventura, deixarão De ouvir os meus conselhos, Porque mais nada valho, Porque já não tenho trabalho, Já não tenho emprego E, consequentemente, nem um amigo! VI Neste momento, O que devo fazer Para merecer, (Sobretudo) Pelo menos, respeito??!! LISBOA, 01 DE JULHO DE 2001. MATTOS (NDO)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A REALIDADE DURA/FORA/ DA NOSSA /TERRA

I Eu me entrego Ao Centro De emprego, Onde o outro Homem Também Vem. II Directa Ou indirectamente, Todos são desempregados Que perderam O seu posto De trabalho, E agora estão dependentes Das entidades Empregadoras. III No rol Desses, Sob o sol Ardente, Estão os doutores, Engenheiros, Pedreiros, Pintores, Professores, Canalizadores, Arquitectos, Serventes E todos os grupos sociais, Onde eu, pessoalmente, me incluoo. S´ SACAVÉM(terça feira), 04 DE SETEMBRO DE 2012. MATTOS (NDO)

O MEU GRANDE AMOR

I As rugas Antigas Desaparecem com o amor, Porque a dor Atenuou E o destino Que um dia me fintou, Veio em pleno. II Eu escrevo Sobre as linhas Tortas Em todas as manhãs, Sobre todas as pistas E descrevo, Minuciosamente, A vida que levo Diariamente. III Os assuntos Amplamente Abordados, Têm sido frequentemente Sobre o comportamento dos meus filhos, Os conselhos Que lhes dou, Porque não sei quando vou Para outros mundos. IV Estou ciente Da minha fraqueza, Da minha pobreza Nesta parte Do Globo E não me gabo Sobre a minha pessoa Aqui em Lisboa, Porque a vida tem sido A madrasta Ingrata Para o menino Africano Que se chama Simplesmente, "Ndo", Filho de Bolama. V Pela luta Constante Que tenho travado Ao longo dos anos, Cheguei a conclusão, Que nada Tenho feito De jeito, Isto é, em condição Que se adeque a meta Pretendida, Com vista A que a minha gente Se sentisse satisfeita E orgulhosa do papá "Ndo", Mas, no entanto,os seus actos,não foram levianos. VI Aos meus filhos, Que nada deixo Como herança, Senão o lixo De papeis em entulhos Como pensamentos, Senão a esperança Na caminhada De cada Década Percorrida E também a esperança. VII Sentado, Deitado, O sr. "Ndo" Vai reflectindo Sobre o seu percurso Neste mundo, Neste espaço Tão vasto, Que eu sinto Muito Grato Pelo tempo Que a Providência Me tem concedido Como a vivência, Como experiência Da essência Humana Quotidiana. VIII Pé Ante Pé, Peço aos meus filhos, Que tenham a fé Nos seus trilhos, Na senda Que cada Um traçara como meta, E que cada Um se sinta Confiante E vá sempre em frente. IX Nada é dado, Nada é adquirido Sem o mínimo esforço, Empenho E abnegação, Em cada missão, Porque cada fardo, Tem o seu preço. X Não se declinem, Não abandonem Os vossos sonhos, Os vossos projectos, Mesmo que sejam espinhos, Lutem Pelos vossos intentos. PV CITY(2ª, 24 DE SETEMBRO DE 2012. MATTOS (NDO)

O DESPERDÍCIO/DO CONTRATADO VITALÍCIO/

I Eis que o meu coração Suporta tanta aflição, Tanta angústia De cada notícia Vinda do Ministério De Educação: A minha não colocação, Com o início De cada ano lectivo! O martírio, O desperdício Do professor Ainda activo Que causa a sua grande dor, Oh,o contratado vitalício! II OH!Quando será o fim Do meu sofrimento Permanente, Eu, o sujeito, Cujo comportamento Reflecte No meu relacionamento Com toda a gente, Com cada semelhante, Porque pretendia, Em cada dia, Cumprir o objectivo pelo que vim?! III Como sarar A ferida Causada Com o virar De cada tempo No espaço Limpo E escasso? IV O educador Com a dor, Como professor Emissor Do valor Que aprendeu De cor, Desde Utiacor Na terra Do Chão Manjaco, Até a linda cidade De Évora, Onde saboreou tudo um pouco Relativo à universalidade Da Humanidade. V O Manjaco Na terra Do Branco, Que,com afinco Procura O pároco O suco Para o sustento, Para o alimento Da sua família, Tanto cá, Como lá, Que está sempre em vigília E sem folia. VI A terra Madrasta Que, em cada dia me afasta, Que já não me aceita, É responsável Pelo que me sinistra Nesta Terra Que já não é arável. VII Eis a lição Da emigração: A frustração De que não Cumpriu a missão Para com a sua população, Nem tão pouco o pão Para a continuação Da sua geração, Da sua espécie Na superfície. VIII No entanto, Eu exorto A todos os que se encontram Na condição idêntica À minha, De não baixarem Os braços E que façam esforços De serem Fortes, Optimistas e confiantes No dia de amanhã. PV CITY(2ª), 24 DE SETEMBRO DE 2012. MATTOS (NDO)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A IRA E A VERGONHA NA NA MINHA TERRA ! Irmãos, Não me canso De apelar o bom senso Àqueles irmãos que desrespeitando os direitos humanos, Continuam a massacrar Os próprios irmãos!

O PROFESSOR CONTRATADO

I Não é fácil Ser professor Contratado, Aqueke que depende Das necessidades Do Ministério Da Educação Nacional. II Eu já não sei O que devo fazer Para nãp perecer Neste país, Uma vez que já procurei Tantas vezes Ser feliz. III Meses E meses, O professor Fica preocupado Com a sua situação De saltimnbanco, De nómada Ao longo De várias décadas. IV Hoje, Já mais nimguém Me quer, Tanto homem, Como mulher. V O meu poder Já terminou. Alguém Já me abandonou E ao meu encontro, Mais ninguém Vem. Já mais ninguém Me quer Ver Ou ter. VI O tempo áureo Já cessou E este homem, Já remédio Tem; Já mais alternativa Tem, Nem alguma prova Da idoneidade Da sua personalidade. VII O professor Contratado, Está acabado. Agora só lhe resta A dor, Porque nem a cor Do dinheiro, Nem tão mísero Do cêntimo no bolso Vem ao seu censo. PV CITY(6ª FEIRA-23H33), 21 DE sETEMBRO DE 2012 MATTOS (NDO)