I
Choro
Pelo que quero
E não encontro,
Porque estou num escuro
Total e inteiro.
II
Em casa,
Por causa
De alguma coisa
Em falta,
Toda a gente
Se exalta,
Se zanga,
Se briga
E se sente
Que está
No direito
De faltar o respeito
Ao seu semelhante.
III
Não
Tendo pão,
Educação,
Habitação,
Saúde
Nesta sociedade,
Você tem a razão
Da reclamação
E da reivindicação
Do seu direito
Como sujeito,
Mesmo que não
O entendam,
Mesmo que não
O compreendam.
IV
A sua luta
Consigna
A sua digna
Conquista
Como pessoa humana
No espaço,
Msemo escasso
Onde habita.
V
Na casa
Farta,
Onde nada falta,
Reinam a harmonia,
A alegria,
Mesmo com a hipocrisia,
Porque o que se pretende
É a pretensa
É a felicidade.
VI
Na época
Da crise,
Pugna-se
Pelo essencial,
Pelo indispensável
Para a sobrevivência,
Mesmo com uma parca
Migalha
Do pão,
Que nos valha
Para a resistência
Do vendaval.
VII
Pugna-se
Na época
Da crise ,
Que tenhámos
O mínimo
Para podermos
Encarar
Com otimismo,
Os que confiam em nós
E não têm a voz;
Os que dependem de nós;
Na(em) casa
Onde falta
Tudo:
O arroz,
O leite,
A batata,
O açúcar,
Toda a gente
Grita,
Porque na mesa
Escasseia
A merenda
Pretendida
Para o pequeno almoço,
Para o jantar,
Para a ceia...
Sem
Isso,
Nada
Pode encantar.
VIII
A prece
Constante
No momento da crise,
É para que não nos falte
O pão,
O leite,
A alimentação...!
A8- , CAMPO GRANDE- SOBRAL DE MONTE AGRAÇO (2ª-FEIRA, 07H 45 MINUTOS), 28 DE ABRIL DE 2014.
KANKAMBAL (NDO)
terça-feira, 29 de abril de 2014
EU JÁ NÃO SEI O QUE DEVO ESCREVER MAIS!
EVO
ESCREVER
MAIS?
I
Com
Sentido
De humor
E som
Que tem
Vivido
Como alguém
Neste mundo,
O menino
Ndo,
Mesmo no
Pântano,
Vai
Vivendo,
Lutando
Como pai
Dedicado,
Com marido
Afetuoso
Ainda que com desprezo
Por parte
Da mulher
Que tinha escolhido
Para percorrer
O caminho
Do seu sonho.
II
Vou
Escrever,
Mesmo sem saber
Concretamente
O que devo
Escrever,
Sobre a senda
Atribulada
Da minha vida,
Porque sou
Obrigado
A revelar,
A contar,
A relatar
O que tem
Passado
E a passar
Comigo,
Pelo azar
Em não ter
Podido
Estabelecer
O diálogo
Com alguém,
Falar
Com alguém.
III
Tanta
Coisa
Confusa,
Difusa,
Dispersa
Nesta
Cabeça
Oca,
Tonta
E opaca!
IV
Parece-me
Que estou
A enlouquecer,
A desaparecer
Com tanta
Crise
Que me afeta,
Que me desequilibra,
Que me consome
Dia
Após dia
Nesta
Terra
E, até,
Já não sei,
O que já passei
Presente
E atualmente!
V
Nada
Mais
Me falta
Para a loucura,
De tudo
Que está demais
Nesta vida
Que levo,
Que vivo
Muito preocupado,
Com amargura,
Sem seguro,
Sem dinheiro
Para pagar
A renda
Da casa,
Saldar
A dívida
Da eletricidade,
Da água,
Da Meo!
Que mágoa
E desgraça
Enfrento nesta
Sociedade
E sem qualquer meio
Meu!
VI
Cada
Sorriso
Para o outro,
É feito
Dum modo
Puro,
Mas com muito
Esforço,
Porque estou muito
Abalado,
Física e psicologicamente,
Porque tudo
Está mal;
Nada
Está bem
E normal
Para este
Homem.
VII
Saio
Para o devaneio,
Para o passeio
Dário
Com a cabeça
Em constante
Delírio,
“Presa”
Em parte,
Pela preocupação
E obrigação
De dar
O pão,
Alimentação,
Educação,
Ajudar
E garantir
A habitação
E o provir
Dos meus filhos
Menores,
Que ainda dependem
De mim.
VIII
Saio
Para resolver
Vários problemas
Pendentes,
Mas nada resolvo
Do que devo,
Porque não tenho o esteio,
Não tenho meio,
Porque tudo são traumas,
Enigmas:
Os meus carros Fords:
…
E Fiesta,
Nos mecânicos
Brasileiro
E guineense,
Respetivamente,
…
E Tony;
A água, a luz, os telemóveis, Meo, o problema
da minha saúde, o atestado médico para apresentar na Escola, o problema do meu
filho António, as minhas dívidas, etc, etc,
Nada consigo
Comigo…!
PV CITY( TERÇA –FEIRA, 12H 25
MINUTOS), 29 DE ABRIL DE 2014.
KANKAMBAL – MATTOS (NDO)
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O IMENSO/DESPREZO/DA MINHA DAMA/NA CAMA/
O IMENSO
DESPREZO
DUMA
DAMA
NA CAMA
I
Na cama,
A minha dama
Não me toma,
Porque não me ama;
Não me beija,
Nem sequer
Que haja
Um contacto
Do (outro) sujeito
Com que partilha a mesma
Cama.
II
O jejum
Não é só dum,
Mas também do outro
Que mesmo não sendo
Fanático
Em termos religiosos.
III
Dormimos
Como se fôssemos
Dois homens
Ou duas mulheres;
Ninguém
Toca em ninguém;
IV
Quaresma
Afasta a alma
Da minha dama
Mesmo estando deitados na mesma
Cama;
Mas isso,
Este desprezo,
Não é nenhum
Drama,
Só
Porque está em jejum,
Porque ela não me ama.
V
As duas crianças
Lindas
Que adotámos,
Não lhe dizem nada,
Porque ela também não “queda”
Pelas crianças.
VI
Hoje
Estamos a atravessar
Uma das piores
Crises
Desde que nos juntámos,
Desde que nos casámos.
VII
Eu, neste momento
Em que escrevo
Este pensamento,
Nem um euro tenho!
Apenas algumas moedas
Que nem sequer ultrapassam
Os quarenta cêntimos.
VIII
Ontem à tarde,
Tive que recorrer
À taberna, à loja
Do senhor Zé
No Prior Velho
A fim de abastecer à casa dos bens essenciais que não tínhamos:
arroz (3kgs),limões, açúcar, laranjas,
maçãs, no valor de 10,59 cêntimos.
Porque para mim, é uma grande ofensa, é uma situação
abominável ver as crianças a chorarem de fome ou porque não isto ou aquilo; é
uma grande vergonha, um vexame a
situação de pobreza (disfarçada) extrema. O sorriso, é muitas das vezes,
o disfarce do desprezo que tenho de mim mesmo, da forma precária e triste que
estou a viver! Logo de manhã, antes de sair de casa, tinha dado ao Didier
(neto-.sobrinho da Natty) 1,50E para ir à Sacavém comprar esparguetes para o
almoço e também knorr para que a família possa comer à mesa. Que pena à
situação vergonhosa que estamos a a passar, a atravessar! Até parece que não
estou a trabalhar! Tenho até vergonha de encontrar e ver outras pessoas nas
piores condições que a minha, a mendigarem e a pedirem esmolas na rua! Estando
perto das pessoas que acabo de descrever, sinto medo, receio e pena de
encaminhar (caminhar) para o mesmo. Até 4ª-feira, estamos à espera dos párocos
cinquenta e poucos euros que a Segurança Social nos concede de ajuda para as
nossas duas crianças, subsídio de família.
Eu estou sentado numa das esplanadas da Avenida João XXI,
paralela à Avenida de Roma, vindo do Areeiro, mas não tenho como pedir uma bica
enquanto estou escrevendo este pensamento, este relato, este facto.
Numa esplanada contígua, ia eu a passa, vi aí que a bica
custava quarenta cêntimos. Parei e procurei na minha carteira ou na algibeira
algumas moedas, pois, tinha a certeza que tinha pelo
menos,(aproximadamente)quarenta cêntimos. Mas, infelizmente, não tinha!
Faltavam muitas moedas para as pretendidas! Apenas, na carteira, estavam nove
cêntimos! Mas, mesmo assim, sentei-me e acrescentei mais algumas linhas neste
pensamento feito à jato, no caderno ou bloco que tinha como o meu fiel companheiro.
Escassos minutos, aparece uma empregada do Café que me perguntou ou que
desejava, ou melhor que me disse: “Olhe, sr, nós s não servimos à mesa”. E eu,
tentei balbuciar algumas palavras para me defender e ela retorquiu:” A mesa é
alugada, tem um custo”. Minutos depois de terminar o meu pensamento, o registo
do meu raciocínio no caderno, continuei o percurso tortuoso.
JARDIM DE SACAVÉM(2ª-FEIRA,19H14 MINUTOS),14 DE ABRIL DE 2014-04-14.
KANKAMBAL (NDO)
domingo, 6 de abril de 2014
O EGOCENTRISMO/AO EXTREMO/
O EGOCENTRISMO
AO EXTREMO
I
A vida já me ensinou
Que ser diferente
É muito bom,
Isto é, caso esta diferença
Seja positiva,
A vida já me ensinou
Muita coisa .
Nada agora é me
estranha!
Alguém muito me
enganou
Entrar completamente na
casa,
Depois, mostrou-me
Outro rosto,
Depois mostrou-me
Outra cara,
Fez ciúme
Com todo aquele que
me depara,
Com todo aquele que
me é benquisto.
II
Até a praia
É a razão de não me
falar!
Não posso satisfazer
A vontade dos meus
filhos,
Não posso fazer nada
a ninguém.
III
Meu Deus!
Ajude rapidamente
A sair desta situação!
Pessoa que não gosta
da crítica,
Pessoa que acha que só
ela
É que tem razão.
Isso não pode ser!
Não pode continuar!
IV
Os meus filhos
Estão sofrendo muito
Com isso
E há muita hipocrisia!
Não existe amor!
PV CITY, 11/07/2003.
MATTOS (NDO)
A PREOCUPAÇÃO/DA REAL EDUCAÇÃO/ARRASA O MEU CORAÇÃO/
A PREOCUPAÇÃO
DA REAL EDUCAÇÃO,
ARRASA O MEU CORAÇÃO
I
Por tudo o que amei,
Informo a todos
Que ainda não me desarmei,
Que, todos podem estar descansados
Que, enquanto estiver vivo,
Jamais desarmarei
Face ao meu grande objetivo,
Pois, por ele viverei!!!
II
No meu mundo de sonho,
Farei tudo o que posso,
Enveredarei grande esforço
Para encontrar
O caminho
Livre e aberto para desencaixar
Tudo e todo aquele que me tenta lixar!
III
Este caderno (que já não é)
Será exclusivamente para descrever
As minhas experiências
No domínio da educação
Para os nossos filhos, e sobretudo do menino
Que está a experimentar maneiras de viver
Em diversas circunstâncias,
Em diversas situações,
Sem mínimas condições.
V
Total e inteiramente isolado
No grande mundo
Que me circunscreve,
Em que a minha comunidade vive,
Sinto –me muitas vezes perdido
Porque já não dialogo
Com nenhum amigo,,
Porque a mais ninguém chego
E a a mim e em mim me entrego.
VI
Todos os dias ,
Eu que não sou crente,
Peço ao Senhor
O nosso Protetor
E Progenitor,
Que me ilumine
Como filho de Tymanane,
Como neto de Docudjune,,
No mundo de educar,
Sem no entanto chocar
Os princípios visados,
Os meus queridos
E estimados filhos.
PV CITY, 28/06/2002.
MATTOS (NDO)
O SONHO EM PUNHO
O SONHO
EM PUNHO
I
De menino,
Comecei a sonhar
Em ser –se alguém
Ou em poder
Ajudar
Alguém.
II
Hoje,
Longe
Disso,
Estou num poço
Sem conseguir
Ajudar-me
A mim próprio.
III
Africano
Genuíno
De gema,
Filho de Bolama,
Rema
Contra marés
E contra todos os poderes
Para conseguir
Viver,
Melhor dizendo, sobreviver.
IV
Dia
Após
Dia,
A voz
Estranha,
Talvez da Nhanha,
A minha
Querida mãe,
Que deseja que seja feliz,
Me diz:
“ Vai em frente
E só a morte
Te pode impedir a progressão
Na tua missão.
A8- SMONTE AGRAÇO(6ª-FEIRA- 17H23 MINUTOS), 04/04/2014.
MATTOS (NDO)
A PONTE/, A DOBRADIÇA/ ONDE A GENTE/ REPOUSA/
I
Nada mais doce
Na face
Do mundo,
Nesta vida
Onde estamos vivendo,
Como a saúde,
A plena felicidade!
II
É verdade
Que faz falta
Os bens materiais,
Os bens essenciais,
Para não dizer, fundamental,
Vital
Para a vivência
Humana,
Para a existe da existência
Terrena.
III
A ponte
Entre a morte
E a vida
É o que separa
Cada
Um de nós
Da foz
E da cratera.
IV
Esta ponte,
A dobradiça
Entre a vida
E a morte,
O espaço onde nos movemos,
É como a peça
Que nos lança
Para os extremos
Do que efetivamente somos.
V
Na nossa mente,
Temos sempre
Algo ou alguém como mestre
Que nos incute
A ideia do sucesso,
Para alcançarmos o progresso,
A felicidade,
O bem-estar
E tudo o que nos pode encantar
Na sociedade.
CATUJAL (DOMINGO- 15H40 MINUTOS), 06 DE ABRIL DE 2014.
MATTOS
(NDO)
TANTA DOR, MEU DEUS!
TANTA DOR,
MEU DEUS!
Sozinho
Lutando
Com a minha dor,
Sem amor
Ao redor!
II
Todos
Dirão “bem feito
Ele é teimoso,
“burro”
E outros nomes
Bem feios
Para um homem”.
III
A Providência
Esqueceu-se
Da minha existência
Por causa da minha teimosia,
Para não dizer outra coisa
Como a “burrice.”
IV
É a lei
Da vida .
A ela interpelei
E apanhei
Uma lufada,
Uma bofetada.
V
Aqueles que me amam
E me adoram,
Hoje estão longe,
Bem afastados.
CATUJAL(6ª-FEIRA-21H43), 14 DE FEVEREIRO DE 2014.
sábado, 5 de abril de 2014
DESTE LADO/MORA/AQUELA CRIATURA/ CHAMADA NDO
I
Digo
Não
Ao castigo,
À maldição
Do Diabo,
Do Feiticeiro!
Só recebo
E aceito
O imposto
Pelo Criador,
O Nosso Senhor,
O Misericordioso!
II
Estou sentado,
Escrvendo
Sobre o que está ruim
Sobre mim,
Neste jardim
De Sacavém
E tudo
O que vem
à minha cabeça,
Por causa
Desta doença
Misteriosa.
III
Há três
Meses
Que padeço,
Que sofro
Com isso
Tão doloroso
E duro!
IV
Penso
Que os seres
Devem ser felizes,
Ou, pelo menos,
Deveriam ser felizes
Nesta terra.
CATUJAL( 3ª-FEIRA, 11H40 MINUTOS), 18 DE MARÇO DE 2014.
MATTOS (NDO)

A VIDA
CONSOLADA
QUE A SENHORA ME DÁ!
Apenas quero pedir-te que continues a ser a minha melhor
amiga neste mundo, sobretudo, neste momento tão crítico e perturbado que estou
atravessando. Só Deus sabe a força que me dá dia após dia! Não imagino outra
coisa se não lhe tivesse encontrado ou se não estivesse na minha vida e tenho
muita razão, razão de sobra para que possa ocupar um lugar importante e cimeiro
na minha vida. A minha mulher já não me conhece e só anda a falar mal de mim.
Acredita que é muito importante para mim. Guardo-lhe e guardar-lhe ei no meu
coração para sempre ou seja até ao fim dos meus dias. Um grande beijo de quem muito
te ama- Ndo- 05/04/2014.
Por que o meu filho não obedece o meu conselho?
I
Contra tudo
E contra todos,
O meu filho
Insiste em voltar
Para Portugal,
Para Lisboa,
Vindo da Grã-Bretanha!
II
Não quis ficar
Na Inglaterra
E assim pediu aos seus amigos
Que pagassem
O bilhete de regresso
A Lisboa, Alegando que lhe enviaram uma carta
Da polícia para ir apresentar-se,
O que não corresponde a verdade dos factos.
III
Tudo
Pura mentira!
Tudo
Puro pretexto,
Tudo não passa de um grande e falso pretexto.para voltar ao seu mundo, ao mundo dos seus amigos delinquentes. Não quis ouvir ninguém: a tia, as irmãs, o cunhado, os amigos que estão lá, ninguém e mesmo o pai que está em Lisboa. Insiste em regressar a Portugal a fim de prosseguir com as suas "borradas", a continuar a fazer as porcarias de sempre.
Sobral de Monte Agraço(5ª-feira- 11h10 minutos), 03/04/2014.
MATTOS (NDO)
A CARA
QUE CUSTARA
MUITO CARA
À MINHA CARREIRA
I
Ei-lo
Júbilo
Dia após
Dia
Depois
De constituir a sua
família!
Vê-lo
Sempre a sorrir
Com muito prazer
Como um ser
Que quer
Viver.
II
O jovem
Recém-licenciado
Imbuído
De muitos
Sonhos,
De muitos
Projetos,
Caminhando
Por entre muitos
Caminhos.
III
Mas, tudo
Se desabou,
Tudo
Acabou
Como um sonho
No ninho.
AEROPORTO DE
LISBOA(3ª-FEIRA,10 HORAS), 11 DE MARÇO
DE 2014-04.
MATTOS (NDO)
TERRIVELMENTE CONDENADO
As minhas mãos
Estão com a comichão
Da escrita,
Mesmo estando doente.
II
Nas margens
Do monte
Que deram origem o
nome
De Sobral de Monte
Agraço,
Aqui vou coxeando.
III
Sem dinheiro
Para ir as urgências,
Vou gemendo
No carro Ford Fiesta
À espera do toque
para a entrada
Das últimas aulas do
dia.
MATTOS (NDO)
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