segunda-feira, 28 de julho de 2014

O MUNDO NÃO TEVE, NEM TERÁ FIM/ DEPOIS DE MIM

O MUNDO NÃO TEVE NEM TERÁ FIIM
 DEPOIS DE MIM

I

O ser humano,
 O homem,
Só tem o valor
Se tiver o amor
Em relação ao seu próximo.

II
 O seu carácter
Mede-se pelas suas acções
Diárias
E pelas alegrias
Que distribui pelos corações,
Para melhor
Consigo, viver.

III

Em cada palavra
Que eu escrevo,
Fá-la com muita honra
Em memória dos que muito devo
Neste mundo,
Sobretudo
Aos meus pais
E também ao meu país.

IV

Nasci
E sorri
Para o mundo
Que me tem acolhido
Como um filho querido;
Pelo que fico muito grato.
Pelo facto.


V

Ninguém
É mais ninguém,
Pois,
Ninguém
Tem
O direito do Amém
Sobre qualquer homem;
Por isso, todos devem
Contribuir para o bem,
Não só dum,
Mas para o bem
Comum.

VI

A misericórdia
Em cada dia
De cada homem,
Não significa a cobardia,
Mas a coragem
E o valor que possui
No seu “ i “(…).

VII

A superioridade
Na humanidade,
É uma questão de individualidade
Da (própria) dignidade
De cada ser
No seu conviver,
Pois, é algo de relatividade
De cada.

VIII

Conforme o meio
E as circunstâncias,
Assim é o benefício,
Assim são as regalias
Que cada sujeito
Tem como proveito,
Se de tudo souber
Tirar o máximo de dividendos
Para os seus fundos.

IX

Os seres humanos passam,
O mundo fica;
Os homens tropeçam,
Mas o mundo não estica;
Permanece no mesmo sítio,
No mesmo pátio.


X

Quero,
Queria
Que as minhas “porcarias”,
Que as minhas “loucuras”
Na utilização
Das letras,
Na composição
Das palavras,
Fossem alegrias
Para todos aqueles que têm um bom “faro”
Para cada livro,
Para cada brochura,
 Ou para cada obra.

 MERCADO DE ENCARNAÇÃO SUL (LISBOA), 10 DE MARÇO DE 2007.


                                                                     MATTOS (NDO)

sábado, 26 de julho de 2014

LISBOA /, AGORA /, TERRA/ SEM BROA/

LISBOA,
 AGORA,
TERRA
SEM BROA

I
Um peão
Sem guião, um cego
Num jogo,
Desconhece o parceiro
Para o fim certeiro, num país hospitaleiro
Que aceita até o caloteiro!

II

De perto,
Nos parece mais afastado,
Quando,
Em conjunto
Caminham lado
Lado
A lado.

III

Por
Amor,
Vive-se na dor,
Para não permitir o sofrimento
Em cada peito,
Não triturar o interior
De cada pecador,
Que, aparentemente, ama
Que exteriormente difama.

IV

Só sei
O fado que dentro levo,
Porque antecipadamente o pesei
Como bem o fazia o meu coevo.

V

Do Universo,
A um parco bolso,
Presentemente vive um ser
Prestes a perecer!


VI

Da minha terra,
Saída da guerra,
Não posso falar.
Limito-me a calar,
Para não descarrilar
Da minha vida particular

VII

Aconselhado a preocupar-me
Exclusivamente com os problemas (da minha) de casa
Que está em penhora, esquecendo os problemas da minha terra.

VIII

No fim,
Não terei o fim,
Porque ninguém me segurará,
Porque ninguém me olhará.

IX

Porque tudo que é fim
Ou está no fim,
Ou foi bom ou foi ruim!
Não mais haverá amo,
Mas sim, a grande dor!
Reinará a desgraça,
Que semeará a vingança!!!


X

E os meus filhos?!
Quem terá a compaixão de os alimentar,
De os vestir,
De os educar,
Numa palavra,
Crescer e
E sobreviver?

XI

Meu Deus!
Não todos os males dos céus,
Tudo sobre e apenas em mim!!!
E se for
Apenas em mim e não nos meus filhos!

XII

Ilumine os meus filhos!
Mostre-lhes o caminho da verdade!
A razão da verdadeira existência humana!!!

XIII

Aquele que parte
Para uma outra parte,
Mesmo para a própria morte,
Deve deixar a sorte,
Melhor dizendo, o seu dote!!!


XIV

Aos meus filhos!,
Aos meus irmãos!,
Aos meus amores!
… Rirão,
Quando não der certo!!!
…Rirão,
Quando formos abandonados!!!

XV


E dirão:
“ Ah! Agora é tarde!
Já a ninguém pede!
Agora, aguente-se,
Já que nunca tinha dado ouvidos ao que alguém disse ou dizia…!!!

LISBOA(SEXTA-FEIRA, 14 DE MAIO DE 1999

MATTOS (NDO)






CUTUM MADINA

CUTUM MADINA
I
A cada esquina,
No Bairro
De Cutum Madina(Medina?),
Me deparo
Com um buraco,
Há sempre um espaço oco,
Onde arduamente,
Labutam os homens, mesmo sem horizonte.
II
Nos rostos das pessoas
Nada nos transparece risonho!
Já não gamboas,
Porque o Estado está morto
E o povo está faminto.!
III
As greves sindicais,
(Será que existem?!)
Assolam o país.
Tudo
Está paralisado,
Nada está definido.
Os grandes
Estão indiferentes
De tantas mortes,
De tantas calamidades
Dos inocentes.!!
IV
Os ministros,
São os maestros;
Os secretários,
São os larápios;
Os directores
São os abutres!
V
Aqui, tudo
Está quase podre!
Acomoda-se com o compadre,
Porque a própria mulher é comadre!
Porque num Estado
De putrefacção,
É inevitável a corrupção!
VI
O taxista,
O “candonguista”,
O carteirista ,
O de “toca-toca”, o legalista
Motorista,
O “bideiro”,
O pedreiro,
Ou o carpinteiro,
Todos estão contentes,
Porque não há controlo nas fontes,
E os outros, estão tristes!!!
VII
Não têm
Pão,
Porque não lhes dão
O que realmente têm,
Porque à custa deles, se divertem
Como os nobres da Idade Média,
Que não se preocupavam com o seu dia -
-Dia.
VIII
Têm
Bons carros,
Têm
Boas e bonitas
Mulheres,
“Casa um, casa dois, casa três”.
Não sabem
Se os produtos são caros.
Têm
Fartas
Mesas
E têm
Esperanças,
Porque pensam serem
Donos
E gestores
(Eternos)
Desta nossa querida terra
Até a sepultura!!!!
IX
Aí, minha Guiné!
Continuas a ser Néné (“néné”)!
Co a tua fama,
Retribuis
Como país,
“Djarama”
Aos que te lembram
E sempre te ajudam
Acompanham
Onde moram!!!
X
Em nome da estabilidade,
Enterraste
O peso.
Em nome da prosperidade,
Puseste
Em circulação, o franco forte
E coeso,
Que substitui os habituais milhões,
Que apenas alimentavam ilusões!
XI
Percorri
Ruas
E ruas ,
Mas nada vi
E nada encontrei.
Apenas misérias,
Vendo homens com” zum-
-Zum”,
O refúgio
Que se torna vício.
Pelo que copiosamente chorei.
Chorei
Devido a indiferença
De tanta pobreza
Na ignota massa!
Chorei
Pelos ventres
Famintos
Por causa
Dos abutres;
Chorei
Pelos desempregados hirtos
E com tantos
E tantos
Vómitos!!!
E regressei
À terra
Que o destino
Me empurrara
Sem aceno,
Regressei
A Lisboa
Com muita mágoa!
Guiné, terra
“pequenino”
Mas “garande” na fama”
Que já não tem alma,
Guiné,
Terra “sabi”,
Mas que deixou o”nantubi”
Decepcionado
E magoado
Pelo se lastimável estado.
( POESIA POR CONCLUIR)
CUTUM MADINA, EM BISSAU(6ª-FEIRA), 22 DE AGOSTO DE 1997.
MATTOS (NDO)