CUTUM MADINA
I
A cada esquina,
No Bairro
De Cutum Madina(Medina?),
Me deparo
Com um buraco,
Há sempre um espaço oco,
Onde arduamente,
Labutam os homens, mesmo sem horizonte.
No Bairro
De Cutum Madina(Medina?),
Me deparo
Com um buraco,
Há sempre um espaço oco,
Onde arduamente,
Labutam os homens, mesmo sem horizonte.
II
Nos rostos das pessoas
Nada nos transparece risonho!
Já não gamboas,
Porque o Estado está morto
E o povo está faminto.!
Nada nos transparece risonho!
Já não gamboas,
Porque o Estado está morto
E o povo está faminto.!
III
As greves sindicais,
(Será que existem?!)
Assolam o país.
Tudo
Está paralisado,
Nada está definido.
Os grandes
Estão indiferentes
De tantas mortes,
De tantas calamidades
Dos inocentes.!!
(Será que existem?!)
Assolam o país.
Tudo
Está paralisado,
Nada está definido.
Os grandes
Estão indiferentes
De tantas mortes,
De tantas calamidades
Dos inocentes.!!
IV
Os ministros,
São os maestros;
Os secretários,
São os larápios;
Os directores
São os abutres!
São os maestros;
Os secretários,
São os larápios;
Os directores
São os abutres!
V
Aqui, tudo
Está quase podre!
Acomoda-se com o compadre,
Porque a própria mulher é comadre!
Porque num Estado
De putrefacção,
É inevitável a corrupção!
Está quase podre!
Acomoda-se com o compadre,
Porque a própria mulher é comadre!
Porque num Estado
De putrefacção,
É inevitável a corrupção!
VI
O taxista,
O “candonguista”,
O carteirista ,
O de “toca-toca”, o legalista
Motorista,
O “bideiro”,
O pedreiro,
Ou o carpinteiro,
Todos estão contentes,
Porque não há controlo nas fontes,
E os outros, estão tristes!!!
O “candonguista”,
O carteirista ,
O de “toca-toca”, o legalista
Motorista,
O “bideiro”,
O pedreiro,
Ou o carpinteiro,
Todos estão contentes,
Porque não há controlo nas fontes,
E os outros, estão tristes!!!
VII
Não têm
Pão,
Porque não lhes dão
O que realmente têm,
Porque à custa deles, se divertem
Como os nobres da Idade Média,
Que não se preocupavam com o seu dia -
-Dia.
Pão,
Porque não lhes dão
O que realmente têm,
Porque à custa deles, se divertem
Como os nobres da Idade Média,
Que não se preocupavam com o seu dia -
-Dia.
VIII
Têm
Bons carros,
Têm
Boas e bonitas
Mulheres,
“Casa um, casa dois, casa três”.
Não sabem
Se os produtos são caros.
Têm
Fartas
Mesas
E têm
Esperanças,
Porque pensam serem
Donos
E gestores
(Eternos)
Desta nossa querida terra
Até a sepultura!!!!
Bons carros,
Têm
Boas e bonitas
Mulheres,
“Casa um, casa dois, casa três”.
Não sabem
Se os produtos são caros.
Têm
Fartas
Mesas
E têm
Esperanças,
Porque pensam serem
Donos
E gestores
(Eternos)
Desta nossa querida terra
Até a sepultura!!!!
IX
Aí, minha Guiné!
Continuas a ser Néné (“néné”)!
Co a tua fama,
Retribuis
Como país,
“Djarama”
Aos que te lembram
E sempre te ajudam
Acompanham
Onde moram!!!
Continuas a ser Néné (“néné”)!
Co a tua fama,
Retribuis
Como país,
“Djarama”
Aos que te lembram
E sempre te ajudam
Acompanham
Onde moram!!!
X
Em nome da estabilidade,
Enterraste
O peso.
Em nome da prosperidade,
Puseste
Em circulação, o franco forte
E coeso,
Que substitui os habituais milhões,
Que apenas alimentavam ilusões!
Enterraste
O peso.
Em nome da prosperidade,
Puseste
Em circulação, o franco forte
E coeso,
Que substitui os habituais milhões,
Que apenas alimentavam ilusões!
XI
Percorri
Ruas
E ruas ,
Mas nada vi
E nada encontrei.
Apenas misérias,
Vendo homens com” zum-
-Zum”,
O refúgio
Que se torna vício.
Pelo que copiosamente chorei.
Chorei
Devido a indiferença
De tanta pobreza
Na ignota massa!
Chorei
Pelos ventres
Famintos
Por causa
Dos abutres;
Chorei
Pelos desempregados hirtos
E com tantos
E tantos
Vómitos!!!
E regressei
À terra
Que o destino
Me empurrara
Sem aceno,
Regressei
A Lisboa
Com muita mágoa!
Guiné, terra
“pequenino”
Mas “garande” na fama”
Que já não tem alma,
Guiné,
Terra “sabi”,
Mas que deixou o”nantubi”
Decepcionado
E magoado
Pelo se lastimável estado.
Ruas
E ruas ,
Mas nada vi
E nada encontrei.
Apenas misérias,
Vendo homens com” zum-
-Zum”,
O refúgio
Que se torna vício.
Pelo que copiosamente chorei.
Chorei
Devido a indiferença
De tanta pobreza
Na ignota massa!
Chorei
Pelos ventres
Famintos
Por causa
Dos abutres;
Chorei
Pelos desempregados hirtos
E com tantos
E tantos
Vómitos!!!
E regressei
À terra
Que o destino
Me empurrara
Sem aceno,
Regressei
A Lisboa
Com muita mágoa!
Guiné, terra
“pequenino”
Mas “garande” na fama”
Que já não tem alma,
Guiné,
Terra “sabi”,
Mas que deixou o”nantubi”
Decepcionado
E magoado
Pelo se lastimável estado.
( POESIA POR CONCLUIR)
CUTUM MADINA, EM BISSAU(6ª-FEIRA), 22 DE AGOSTO DE 1997.
MATTOS (NDO)

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